quarta-feira, 24 de agosto de 2016

[Entretenimento] Músicas sobre migração

Prettos interpretam "Migração" (Jair Rodrigues)



Fotografia 3x4 - Belchior



Peguei um itá no Norte - Dorival Caymmi







[Documentário] Duplo Preconceito Nordestino

"Personagens e autoridades, como a presidente do CTN Renata Abreu, retratam o preconceito que atinge migrantes nordestinos homossexuais."

Vídeo no Youtube

Direção: Tiago Bernardo
Câmera man: Daniel Satta
Edição e finalização: Tiago Bernardo e Rômulo Orelha
Professor Orientador: Francisco Periago
FIAM FAAM

[Entrevista e pesquisa] Migrantes procuram menos a Região Metropolitana de São Paulo como destino

"Produzido pela UNIVESP TV este vídeo resulta da parceria com a Fundação Seade, que publica mensalmente, o Boletim Primeira Análise. 
A demógrafa e autora do Primeira Análise 18, Sônia Regina Perillo, pesquisadora da Fundação Seade, analisa a migração na região metropolitana, no início deste século XXI, e traça o perfil sociodemográfico dos migrantes recentes, com menos de três anos na localidade."

Link no Youtube

"MIGRANTES PROCURAM MENOS A REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO COMO LOCAL DE DESTINO.


RESUMO: Este estudo analisa a migração na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), no início do século XXI, e traça o perfil sociodemográfico dos migrantes recentes, com menos de três anos na região. Também são identificadas diferenças entre a população residente na Região Metropolitana desagregada em três grupos: migrantes recentes; migrantes residentes há mais de três anos e população não migrante. Para tal, tomou-se como base uma fonte alternativa de informação sobre migração, a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada pela Fundação Seade e pelo Dieese."

Autora deste número: Sonia Regina Perillo, pesquisadora da Fundação Seade. 
Coordenação e edição: Edney Cielici Dias

[Documentário] SP Creole: a vida dos haitianos na capital paulista

"Extorsão, roubo, furto, fome, sede, noites mal dormidas... Ao sair do país de origem em busca de trabalho no Brasil, grande parte dos haitianos encara uma rota ilegal. Esse fluxo migratório teve início em dezembro de 2010, quando o Brasil abriu as portas aos haitianos, vitimados pelo maior terremoto da história do Haiti, em 12 de janeiro daquele ano. Os vistos humanitários demoram para sair na embaixada da capital Porto Príncipe. Tal burocracia, somada às condições de vida precárias do país (50,16% vivem abaixo da linha da pobreza e 24,5% estão desempregados), motiva a viagem irregular, em que ficam à mercê dos coiotes. Ao adentrarem no Brasil, pela fronteira entre as cidades de Iñapari (Peru) e Assis Brasil (Acre), a sensação de segurança aparece. Pela frente, contudo, os imigrantes encontram muitos desafios.

Trabalho de Conclusão de Curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo, o documentário SP CREOLE acompanha a vida dos haitianos no abrigo do Acre, na viagem de quatro dias em ônibus fretado pelo governo acreano até São Paulo e a batalha deles para conseguirem sobreviver na capital paulista."

Debora Komukai • José Magalhães • Karen Bogdzevicius
Kevin Damasio • Lucas Sposito • Pamela Passarella • Thaís Lopes
Orientação: Heidy Vargas
Edição: Rodrigo de Britos/Alquimia Produções
Coordenador do Curso: Rodolfo Carlos Martino
Diretor do Curso: Paulo Rogério Tarsitano
Reitor: Marcio De Moraes
Apoio: Universidade Metodista De São Paulo E Canal Futura

Vídeo no Youtube

[Documentário] No Desistas - Documentário sobre a imigração de Bolivianos para a cidade de São Paulo

"No Desistas ( Xan Kheparamty ) Vídeo Documentário produzido por alunos da Faculdade Uniban/Anhanguera como trabalho de conclusão do curso de produção Audiovisual 2013.

O vídeo tem como objetivo principal; Dar voz para essas pessoas, em seguida vamos identificar esse fenômeno e seus períodos, a influência da cultura Boliviana na vida dos paulistanos e por fim mostrar a luta diária dessas pessoas para sobreviver na maior cidade da América dos Sul."




Direção: Paulo Bernardo
Assistente de direção: Herbert Bastidas
Pesquisa: Kelly Cristina Araújo, Leandro Marques e Alexandre Bacagine
Roteiro: Kelly Cristina Araújo
Cinegrafistas: Paulo Bernardo e Herbert Bastidas
Direção fotografia: Paulo Bernardo
Produção: Lucas Martins e Alexandre Bacagine
Edição: Paulo Bernardo e Herbert Bastidas
Videografismo: Lucas Martins e Paulo Bernardo
Músicas pesquisadas: Leandro Soares


[Documentário] Nova onda de imigração atrai para São Paulo latino-americanos e africanos

Interessante documentário da TV Folha sobre os imigrantes latinos e africanos na grande São Paulo.
O documentário mostra as dificuldades dos imigrantes quando chegam à cidade, como são tratados, como se sentem, o sentimento de estranheza ao chegar no novo destino e como estes tentam construir uma nova vida na cidade.



Vídeo no Youtube

[Mapeamento dos migrantes na cidade de São Paulo]

Muito se sabe que aqueles e aquelas que chegaram a cidade de São Paulo se estabeleceram de forma difusa no territória. Assim, torna-se necessário mapear a localização destes grupos para compreender melhor a migração na cidade de São Paulo. 

Em 2015, a prefeitura de São Paulo realizou uma sistematização das organizações não-governamentais, associações, coletivos, organizações religiosas e grupos artísticos formados por imigrantes ou que trabalhem com a temática migratória. O intuito é a criação de uma base de dados pública, disponível para consulta, que promoverá a articulação mais efetiva destes grupos com o poder público. O cadastro de grupos é atualizado semestralmente. Confira aqui o mapeamento finalizado no primeiro semestre de 2015. Os grupos interessados em compartilhar suas atividades podem se cadastrar aquiNos meses em que o formulário esteve aberto, foram recebidos cadastros voluntários de 59 grupos cujos trabalhos estão relacionados a 29 diferentes nacionalidades/regiões ou públicos-alvo específicos. É criada, portanto, a primeira base de dados pública do Município com essa finalidade, disponível para consulta. 

Há também o Mapeamento de Feiras de Imigrantes na Cidade de São Paulo. É um documento produzido a partir de base online, colaborativa e de acesso público. Seu objetivo é promover a diversidade por meio da divulgação e visibilidade das diferentes culturas. Veja aqui o mapeamento já realizado. Para inclusão de novas feiras, preencher o formulário aqui

Além desse mapeamento, há outros mapeamentos realizados pela prefeitura que podem ser conferidos aqui.

Por fim, o portal de notícias uol fez um infográfico didático mostrando a localização geográfica de alguns dos principais grupos de migrantes na cidade de São Paulo, além de ilustrar as ondas migratórias e mostrar alguns depoimentos de migrantes, vale a pena conferir aqui. Mesmo a Wikipédia contém uma interessante lista dos bairros paulistanos por imigração, confira aqui




[Alguns dados sobre a migração em São Paulo]

Para além de mostrarmos as transformações na cidade provocadas pela migração, nesta postagem analisaremos os impactos dessa migração por meio de dados. Utilizaremos dados obtidos no IBGE, obtidos também em pesquisas realizadas pelo IPEA, pelo MRE e pela pesquisa SP Demográfico

     Fonte: Atlas do Censo Demográfico 2010

Contrastando com dados do MRE sobre a imigração Brasileira para o exterior, temos que, o IBGE reconheceu o desafio de estimar o número de brasileiros no exterior, à luz da significativa variação das cifras. Mencionou a discrepância entre as estimativas de brasileiros no exterior da OIM (1 a 3 milhões) e do MRE (2 a 3,7 milhões). Ao divulgar o resultado do Censo referente ao número de nossos conacionais no exterior em 2010, de 491.243 (residentes em 193 países), cifra muito inferior às estimativas acima citadas, os autores do relatório fazem a ressalva de que já se sabia previamente que o volume de emigrantes internacionais estaria subdimensionado. O relatório aponta algumas limitações que poderiam explicar esse subdimensionamento, entre as quais a possibilidade de todas as pessoas que residiam em determinado domicílio terem emigrado; eventual falecimento, ao longo dos anos, dos parentes daquelas que permaneceram em território brasileiro e a existência de pessoas que imigraram rumo ao exterior há muito tempo e que foram desconsideradas nas respostas. O Censo 2010 também não inclui os filhos de brasilerios nascidos no exterior, dados que os Consulados podem estimar melhor devido aos registros de nascimentos.

Este Ministério também reconhece que suas estimativas talvez não representem exatamente a realidade devido a diversos fatores, entre eles o fato de muitos brasileiros serem irregulares e terem receio de se expor. A última estimativa de brasileiros do MRE vem sendo revisada para incluir dados referentes ao retorno, considerando o bom momento que vive a economia do Brasil em contraste com países ricos, onde reside o maior percentual de brasileiros. Por esse motivo, acredita-se que o número de brasileiros no exterior tenha caído de 3 milhões em 2008 para cerca de 2,5 milhões atualmente.

Assim,

a)           Gênero: dos 491.243 mil brasileiros residentes em 193 países do mundo em 2010, 264.743 eram mulheres (53,8%) e 226.743 homens (46,1%).

b) Idade: 94,3% da emigração brasileira encontra-se (na data de partida do Brasil) na faixa etária de 15 a 59 anos, correspondendo a faixa de 20 a 34 anos corresponde a 60% do total. As mulheres representam a maioria em todas as faixas etárias. Com base nesses resultados, o IBGE infere que a principal motivação pelo deslocamento de brasileiros ao exterior foi a busca de emprego de forma individual, em grande medida sem o acompanhamento de outros membros da família, uma vez que a faixa etária de 0-14 anos e o grupo da população idosa representam apenas 4,4% e 1,4%, respectivamente, do total.

b)           Destino: os principais países de destino foram Estados Unidos (23,8%), Portugal (13,4%), Espanha (9,4%), Japão (7,4%), Itália (7,0%) e Inglaterra (6,2%). Esse grupo de países representa 70% do total. De acordo com os pesquisadores, "laços históricos" e "redes sociais" explicariam a preferência por esses países mais distantes em detrimento de países fronteiriços. Cabe ressaltar que, somados, os primeiros 10 países europeus na lista (Portugal, Espanha, Itália, Inglaterra, França, Alemanha, Suíça, Irlanda, Bélgica, Holanda) representam 49% do total, mais do que o dobro da cifra referente aos EUA. Dos 193 países indicados como local de residência dos brasileiros no exterior, os primeiros 25 concentram 94% do total.

d) Origem:
- Região Sudeste - 49% do total (240 mil), sendo 21,6% provenientes de São Paulo (106 mil, primeiro lugar), 16,8% de Minas Gerais (82,7 mil, segundo) e 7,1% do Rio de Janeiro (34,9 mil, quinto);
- Região Sul - 17,2% do total - desses, 9,3% (46 mil) saíram do Paraná (terceiro estado na classificação geral);
- Região Nordeste - 15% do total, 1/3 do qual do estado da Bahia (5,3%);
- Região Centro-Oeste - 12% do total, com destaque para o estado de Goiás (7,2%, com 35,5 mil emigrados, quarto lugar na classificação dos estados);
- Região Norte - 6,9% do total.

Somados, os primeiros seis estados nessa classificação (São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Rio de Janeiro e Bahia) representam 67,3% do total.

e) Países de destino e origem:
- EUA - principal destino da população oriunda de todos os estados, especialmente de Minas Gerais (43,2%), Rio de Janeiro (30,6%), Goiás (22,6%), São Paulo (20,1%) e Paraná (16,6%);
- Japão - segundo país que mais recebe emigrantes de São Paulo e Paraná, respectivamente 20,1% e 15,3%;
- Portugal - segunda opção da emigração originada no Rio de Janeiro (9,1%) e em Minas Gerais (20,9%);
- Espanha - os indivíduos que partiram de Goiás elegeram a Espanha como o segundo lugar preferencial de destino, o que representou 19,9% da emigração. Esse país aparece como segunda ou terceira opção de uma série de outras unidades da Federação, o que, segundo o IBGE, permitiria concluir que a proximidade do idioma estaria entre as motivações da escolha.

Corroborando com a informação de que 21,6% do total de imigrantes brasileiros serem de origem paulista, o portal Agência Brasil destaca que São Paulo registrou um êxodo migratório na primeira década deste século. De 2000 a 2010, o número de pessoas que saíram da Grande São Paulo é maior do que o das que chegaram. A pesquisa SP Demográfico cruza taxas de natalidade e mortalidade com os primeiros dados do Censo 2010, já disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A partir desses números, já é possível saber se a população de alguns locais do país cresceu e se esse crescimento foi causado pelo nascimento de pessoas ou pela chegada de migrantes.
Na região metropolitana de São Paulo, a população cresceu 0,98% de 2000 a 2010, segundo a pesquisa. Isso foi causado pelo crescimento vegetativo da população (diferença entre os nascimentos e as mortes), já que o saldo migratório desse período foi negativo para a região: -30,3 mil pessoas por ano.
Esse número corresponde a uma taxa de migração de -1,62 para cada mil habitantes da Grande São Paulo. No caso da capital paulista, mais especificamente, a taxa de migração é ainda mais baixa: -3,03.
O resultado da Grande São Paulo impactou também no fluxo migratório de todo o estado de São Paulo. Na primeira década do século 21, apesar de o saldo de migrantes ter sido positivo no estado, ele caiu 67% na comparação com o registrado de 1991 a 2000.
De 2000 a 2010 chegaram no estado, por ano, 47,9 mil pessoas a mais do que saíram. Já de 1991 a 2000, o saldo migratório anual foi de 147 mil.

Por meio do Atlas do Censo Demográfico 2010, na sessão que trata do saldo migratório, temos que em boa parte do Estado de São Paulo, tal saldo encontra-se negativo.

    Fonte: Atlas do Censo Demográfico 2010
Outro dado que nos chama atenção no Atlas do Censo Demográfico é quanto ao gênero dessa migração. Em São Paulo, entre 48% e 52% dos migrantes são do sexo feminino e entre 44% e 48% dos migrantes são do sexo masculino. 

   Fonte: Atlas do Censo Demográfico 2010


    Fonte: Atlas do Censo Demográfico 2010

Já por meio da pesquisa do IPEA intitulada “Perfil dos migrantes de São Paulo” lançada em 2011, que tem por objetivo analisar a inserção social do contingente de migrantes na região metropolitana de São Paulo e compará-la com a situação dos não-migrantes obtivemos alguns dados interessantes. Na pesquisa, optou-se por tratar a população de 30 a 60 anos, pois, nessa idade, a vida profissional das pessoas tende a estar mais definida. Considerando o local de nascimento da população de 30 a 60 anos – se dentro de determinado estado ou fora dele –, percebe-se que as RMs do Distrito Federal e de São Paulo destacam-se como os polos com maiores contingentes de migrantes. O Distrito Federal tem cerca de 75% de sua população adulta originária de outros estados ou países, enquanto, na região metropolitana de São Paulo, essa proporção é de aproximadamente 45%.

Cerca de 11% dos habitantes da Grande São Paulo nasceu na Bahia, 7,6% nasceu em Minas Gerais e 7,3% em Pernambuco. Os estrangeiros representam cerca de 1%.

Para os pesquisadores, uma primeira diferença que chama a atenção é o apoio familiar entre os grupos analisados. Se utilizarmos como indicador a proporção de pessoas de 30 a 60 anos que ainda estão na casa dos pais, vemos que os paulistas contam com o apoio familiar por mais tempo, o que pode lhes proporcionar possibilidades melhores de formação profissional e inserção no mercado de trabalho. Os estrangeiros também têm o indicador relativamente alto. Isto pode denotar maior enraizamento no local, uma vez que uma maior proporção de pais permanece residindo na cidade. Os cearenses são os que apresentam o menor nível de pessoas que vivem na casa dos pais.

Quanto a escolaridade, os migrantes do Nordeste, em geral, são os que apresentam menor escolaridade, notadamente os baianos, entre os quais 59% não concluíram o Ensino Fundamental. Os estrangeiros superam os paulistas em termos de escolaridade. 46% têm formação superior, contra apenas 24,3% dos nascidos no estado de São Paulo. Outros grupos de migrantes ultrapassam a média dos paulistas natos, composto por Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Espírito Santo, Rio de Janeiro e estados do Centro-Oeste, em que 27,1% possuem nível superior completo


CONCLUSÕES:

  1. Quanto a migração de brasileiros para o exterior, o maior número de residentes no exterior tem sua origem no Estado de São Paulo (21,6% do total), sendo os EUA preferido por 20,1% dos paulistanos e o Japão por também 20,1%.
  2. São Paulo registrou um êxodo migratório na primeira década deste século. Na região metropolitana de São Paulo, a população cresceu 0,98% de 2000 a 2010, segundo a pesquisa SP Demográfico. Isso foi causado pelo crescimento vegetativo da população (diferença entre os nascimentos e as mortes), já que o saldo migratório desse período foi negativo para a região: -30,3 mil pessoas por ano. Esse número corresponde a uma taxa de migração de -1,62 para cada mil habitantes da Grande São Paulo. No caso da capital paulista, mais especificamente, a taxa de migração é ainda mais baixa: -3,03.
  3. Apesar do êxodo migratório, São Paulo possui cerca de 45% de sua população adulta originária de outros estados ou países, sendo que cerca de 11% dos habitantes da Grande São Paulo nasceu na Bahia, 7,6% nasceu em Minas Gerais e 7,3% em Pernambuco. Os estrangeiros representam cerca de 1%.
  4. Dos 491.243 mil brasileiros residentes em 193 países do mundo em 2010, 264.743 eram mulheres (53,8%) e 226.743 homens (46,1%).
  5. Em São Paulo, entre 48% e 52% dos migrantes são do sexo feminino e entre 44% e 48% dos migrantes são do sexo masculino.




segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Retratos da migração em São Paulo [Final]

Para encerrarmos a série "Retratos da migração em São Paulo" na qual mostramos alguns dos principais redutos de migrantes na cidade de São Paulo, lançamos aqui a parte final.

Em 27 de Outubro de 1927 adotou-se como a data de fundação do Bairro de Vila Zelina após a análise de alguns documentos e testemunho dos primeiros moradores e pessoas que transitavam por esta região, conhecida ainda no século 19 como Baixos do Embauba. Cláudio Monteiro Soares Filho, um dos proprietários de grande parte dessas terras, resolveu então lotear o espaço em 1927 e vender, para que se povoasse o local, já que em Vila Prudente, bairro vizinho, as fábricas e a atividade comercial já eram latentes. Porém, como Monteiro Soares Filho não tinha muito tino para a venda, delegou esta função a um imigrante recém-chegado da Rússia, Carlos Corkisco, que instalou uma espécie de escritório no lugar onde hoje funciona a Padaria São José, bem no Largo de Vila Zelina. O nome "Zelina" foi em homenagem a filha do casal de ascendência portuguesa Carlos Monteiro Soares e Zenobia Alvarenga Monteiro Soares.
Recém chegado com outros imigrantes do leste europeu, Corkisco foi para a região do Brás e da Mooca (mais precisamente para a hospedaria dos imigrantes, que é onde todos ficavam quando chegavam ao Brasil) para fazer propaganda das novas terras à venda em um lugar bem próximo, mas bem mais tranqüilo. Como tinha fluência das línguas russa, lituana e polonesa, essas nacionalidades foram as que mais adquiriram um espaço de terra. Devido a semelhança de hábitos e tradições entre imigrantes dos países do leste europeu houve uma harmonia durante sua ocupação dos terrenos de Vila Zelina pro estas famílias compostas por integrantes de comunidades de imigrantes do leste europeu como Bielorrussos, Búlgaros, Croatas, Estonianos, Eslovenos, Húngaros, Letos, Lituanos, Poloneses, Romenos, Russos, Tchecos e Ucranianos. Já quanto a feira, deixamos para o portal “Hoje São Paulo”.
A tradicional Feira do Leste Europeu é um evento temático de cultura dos países do lado oriental da Europa realizado mensalmente desde 2008. O evento é um projeto da AMOVIZA (Associação dos Moradores, Comerciantes, Empresários, Párocos e Profissionais Liberais do Bairro de Vila Zelina e Adjacências), criado para celebrar a imigração de povos da Bielorrussia, Bulgária, Croácia, Estônia, Eslovênia, Hungria, Letônia, Lituânia, Polônia, Romênia, Rússia, República Tcheca e Ucrânia à cidade de São Paulo. Na feira é possível experimentar as delícias da culinária local, como o varêniki, a siliótka, o pelimeni e a vodca russa; a bureka e a milina búlgara; pinene knedlik e a becherovka tcheca; o kugelis e o krupnikas lituano; o chachlik húngaro; a bebida fermentada kváss, a torta de maçã verde croata e muito mais. O visitante poderá conhecer, também, os objetos artesanais típicos como as "Matrioshkas" russas, a arte ucraniana em porcelana, a Machetaria búlgara e a arte em madeira e em tecido eslava. Além disso, estará na Feira demonstrações da arte em couro da Romênia, os ovos pintados com motivos eslavos e o diversificado artesanato da comunidade da Vila Prudente.




    Feira do Leste Europeu. Fonte: AMOVIZA

    Feira do Leste Europeu. Fonte: Hypeness

LOCALIZAÇÃO


HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO

Das 10h às 17h

Centro de Tradições Nordestinas (Zona Norte)

Quer conhecer mais sobre a cultura do nordeste brasileiro, mesmo estando em São Paulo? Sim, é possível, basta ir ao Centro de Tradições Nordestinas localizado no bairro do Limão. No site oficial de turismo da cidade de São Paulo temos que, o Centro de Tradições Nordestinas, fundado em maio de 1991, é um dos polos de divulgação e preservação da cultura nordestina, além de ponto de encontro e diversão na capital. Com uma área de vinte e sete mil metros quadrados, estacionamento para quatrocentos carros e fácil acesso pela Marginal Tietê, o Centro ainda tem à sua disposição dez restaurantes e nove quiosques que servem comida típica nordestina. Os frequentadores também tem acesso à Igreja da Imaculada Conceição, ao parque de diversões e à loja de artesanato. Além disso, o CTN também organiza shows e eventos. Em seu palco já se apresentaram grandes nomes da música brasileira, como Elba Ramalho, Leonardo, Zezé di Camargo e Luciano, Aviões do Forró, Calypso, entre outros. A cada show o CTN recebe um público de aproximadamente sete mil pessoas, totalizando ao longo de um mês, cerca de cem mil.

    Comemoração de 25 anos do Centro de Tradições Nordestinas (CTN) realizada em 2006. Fonte: site oficial

    Comemoração de 25 anos do Centro de Tradições Nordestinas (CTN) realizada em 2006. Fonte: site oficial

Quer saber mais? Veja o vídeo institucional


LOCALIZAÇÃO


HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO

Segunda à quinta das 12h às 16h
Sexta e Sábado das 11h às 05h
Domingos das 11h às 0h

INFORMAÇÕES

Telefones: (11) 3377-0860/ (11) 3488-9400


Centro de Tradições Gaúchas (Embu das Artes)

Para conhecer um pouco da cultura gaúcha sem sair de São Paulo basta ir ao Centro de Tradições Gaúchas localizado em Embu das Artes há cerca de 23km da capital. O C.T.G. UNIÃO e TRADIÇÃO é aberto para visitação e quem tiver o interesse de participar dessa grande família às portas estão abertas, lembrando que não precisa nascer no Rio Grande do Sul para ser gaúcho e cultivar a tradição. A sede se localiza na cidade de EMBU das ARTES. Trata-se de um lugar amplo, com linda paisagem, e um grande galpão onde são realizadas as atividades como danças, encontros e festas. Na parte externa da sede há uma cancha de Bocha (jogo típico que pode ser jogado por homens e mulheres de qualquer idade), o fogo de chão (local onde a gauchada aprecia o chimarrão em volta da fogueira nos dias frios), uma pista para atividades campeiras.

    Entrada do CTG de Embu das Artes. Fonte: site oficial

    CTG Embu das Artes. Fonte: site oficial

Destacamos também a reportagem do Jornal da Gazeta mostrando o pulsante CTG de Embu das Artes.


LOCALIZAÇÃO


HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO

Domingo o dia todo

INFORMAÇÕES

Telefones: (11) 4526-1594|95398-8059|4704-6845

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

[Vídeo] Conhecendo o processo de urbanização de São Paulo

Para além de compreender a importância do processo migratório para a construção da cidade de São Paulo, é necessário compreender também os processos políticos que levaram a construção do espaço que temos hoje em São Paulo. Se por exemplo a reforma de Pereira Passos no Rio de Janeiro quis transformar o Rio de Janeiro em Paris, destruindo cortiços, construindo praças, ampliando ruas, ela também contribuiu e muito para a criação do loteamentos irregulares nos morros da cidade. Em São Paulo, o grande obstáculo para seu desenvolvimento urbano foram os rios. Suzana Bizerril Camargo ao escrever uma matéria para a Revista Superinteressante destaca que existem 3 mil quilômetros de rios escondidos debaixo de avenidas, ruas e becos da maior cidade do Brasil. Por séculos, os paulistanos usaram os rios. Além de transporte de mercadorias, pesca e criação de animais, sua água era usada para todas as necessidades da casa. No começo do século 20, remar e nadar no Pinheiros e no Tietê eram atividades comuns. Não é à toa que o distintivo do time mais popular da cidade tenha uma âncora e um par de remos. No Corinthians dos anos 30, o remo era um dos principais esportes. Os rios faziam parte da vida da cidade. O carro se tornou símbolo do Brasil pujante dos anos 50. Com as novas fábricas de automóveis instaladas, surgiu a demanda por vias para eles trafegarem. E o único espaço para fazer avenidas era sobre os rios, pois os morros já estavam ocupados. Então, os cursos d’água começaram a ser canalizados e, frequentemente, aterrados, para dar lugar a grandes avenidas. Hoje, muito do que é conhecido por asfalto, concreto, corredores de veículos e arranha-céus era, na verdade, água. O Vale do Anhangabaú, tradicional ponto turístico e de manifestações populares, tem esse nome por conta do Rio Anhangabaú, que nasce perto da Avenida Paulista. Algumas das principais vias da cidade estão sobre rios canalizados. Temos assim uma cidade concebida diante de um ideal de progresso que tem como ideia central a utilização do automóvel como símbolo do desenvolvimento. Para que ficasse mais simples compreender a construção da cidade de São Paulo e a perda da relação dos moradores com os rios, trouxemos aqui o documentário "Entre Rios - a urbanização de São Paulo". Em sua descrição temos que: "Entre Rios fala sobre o processo de transformação sofrido pelos cursos d’água paulistanos e as motivações sociais, políticas e econômicas que orientaram a cidade a se moldar como se eles não existissem. A boa notícia é que a cidade, assim como os rios, está em constante transformação e pode tomar novos rumos dependendo dos valores e anseios de sua sociedade."



"O video foi realizado em 2009 como trabalho de conclusão de Caio Silva Ferraz, Luana de Abreu e Joana Scarpelini no curso em Bacharelado em Audiovisual no SENAC-SP."

[Notícia] Pesquisadores analisam perfil do fluxo migratório atual no Brasil

O levantamento reiterou duas conclusões prévias da equipe do Nepo. A primeira é a desconcentração territorial: cidades do interior paulista como Piracicaba e Limeira, além de Campinas, Jundiaí e Santa Fé do Sul, por causa de investimentos internacionais em agropecuária ou indústria, estão recebendo mais imigrantes e vivendo situações antes comuns apenas em capitais como São Paulo, que até o início dos anos 2000 constituíam o destino quase exclusivo dos estrangeiros. “O excedente populacional acompanha alocações do capital internacional, embora a cidade de São Paulo continue como referencial no imaginário imigratório”, diz Rosana.

A segunda conclusão é que a onda imigratória dos últimos 10 anos – formada por bolivianos, peruanos e outros povos latinos, aos quais se somaram haitianos, senegaleses e congoleses, a partir de 2010 – contraria pressupostos históricos tácitos. “Desde o final do século XIX criou-se a ideia de que o imigrante, para ser aceito, teria de ser branco e europeu, e os imigrantes atuais são indígenas que falam espanhol, como os bolivianos, ou negros que falam francês ou crioulo, como os haitianos”, diz Rosana, que trabalha nesse campo há 30 anos. Segundo ela, o distanciamento do padrão histórico branco europeu, a ausência de uma necessidade explícita da mão de obra estrangeira e a escassez de políticas públicas locais, estaduais e federais que promovam a interação social dos imigrantes do século XXI geram o que ela chama de “distanciamento em relação ao outro” e as reações de hostilidade.


Tanto no Brasil quanto na Europa, os meios de comunicação tratam a chegada dos imigrantes “como uma ameaça, como se o país tivesse sendo invadido por uma horda de desocupados, baderneiros que vêm para cá para pressionar o tão combalido sistema de proteção social e o mercado de trabalho”, escreveu Antônio Tadeu Ribeiro de Oliveira, pesquisador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em um artigo publicado em janeiro deste ano na Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana. Segundo ele, a dimensão desse fenômeno, apesar da intensa visibilidade, “é bem inferior ao da entrada através de aeroportos, portos e outras áreas de fronteiras de imigrantes irregulares brancos”.
Quem chega muitas vezes se decepciona. Segundo padre Paolo Parise, um dos diretores da Missão Paz, os coiotes, como são chamados os agentes que cobram dos interessados para ajudá-los a atravessar as fronteiras de outro país, prometem aos haitianos emprego fácil e ganhos de US$ 1.500 por mês. “Os haitianos dizem que não imaginavam que o Brasil fosse tão racista”, diz ele. Mantida pela Congregação Scalabriniana e por doações, desde 1978 a Missão Paz oferece abrigo, alimentação, atendimento médico e psicossocial e serviços de documentação para imigrantes, refugiados e migrantes. Por ali passaram 11 mil dos 60 mil haitianos que entraram no Brasil desde 2010. No início de setembro, padre Paolo cumprimentava os recém-chegados sírios com a mão no peito, sem estender a mão nem tocá-los, como fazia com os latinos que encontrava enquanto caminhava, indicando os cuidados indispensáveis para lidar com os representantes dos diferentes países e culturas.
“Os órgãos públicos estão se posicionando a favor da imigração e se responsabilizando por criar políticas públicas”, observa Camila Baraldi, coordenadora-adjunta da Coordenação de Políticas para Migrantes (CPMig) da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo. Como uma de suas primeiras ações, logo após ser criada, em 2013, a coordenação promoveu a simplificação da abertura de contas bancárias pelos imigrantes como forma de reduzir os assaltos a esses grupos de pessoas, que antes guardavam com eles o dinheiro que acumulavam, e facilitar a contratação por empresas. Uma boa parte do tempo das equipes do CPMig é dedicada aos haitianos, que em 2014 chegavam em grande número, às vezes um ônibus por dia. O fluxo hoje está menor, mas ainda chegam dois a três ônibus por semana vindos do Acre, a primeira parada no Brasil. A maioria permanece, ao menos no início, na capital. Agora a entrada de sírios é que está aumentando: em agosto as equipes da prefeitura atenderam 25.
Nos últimos quatro anos, o número de refugiados no país dobrou, atingindo 8.530 até setembro de 2015, segundo o Comitê Nacional de Refugiados, do Ministério da Justiça. Os sírios, que chegam em número crescente, representam 24,5% do total de refugiados de 81 nacionalidades que vivem no Brasil, seguidos pelos colombianos, angolanos e congoleses e libaneses. Há também 12.666 pedidos de refugiados em análise.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

[Vídeo] Um filme sobre São Paulo datado de 1943 e as contradições do processo migratório

Em matéria realizado por Kiko Nogueira ao portal Diário do Centro do Mundo encontramos uma referência interessante sobre uma bela peça filmográfica sobre a cidade de São Paulo realizada em 1943. Foi produzido pela extinta Coordenadoria de Assuntos Inter-Americanos, CIAA, durante os anos da política de boa vizinhança.


Chefiada por Nelson Rockefeller, a CIAA tinha a função, oficialmente, de estimular “a cooperação e a solidariedade hemisférica”. O objetivo era, na verdade, enfrentar a ameaça nazista e consolidar a posição dos EUA como superpotência. É uma peça de propaganda, tanto quanto o desenho “Saludos Amigos”, que a Disney fez sob encomenda. O Brasil tinha declarado guerra à Alemanha em 1942, mas só enviou tropas para a frente de batalha em 1944.
Contudo, o que chama a atenção de Kiko é a imensidão de comentários xenofóbicos presentes no vídeo enviado ao Youtube pelo canal "travelfilmarchive". Comentários que atribuem culpa aos problemas da cidade ao processo migratório de nordestinos que vieram para a cidade de São Paulo em busca de melhores condições de vida, além de conter comentários exaltando o Estado de São Paulo para além dos demais, assim inferiorizando-os. Com isso, mostramos que um dos objetivos não explícitos desse blog é mostrar que os problemas da cidade vão para além da migração, que é um fenômeno humano e  um direito básico. Os migrantes ajudaram a formar nossa bela cidade e continuam a ajudar, nossos problemas não serão explicados simplesmente pela presença deles, como se diz popularmente, "o buraco é muito mais embaixo".