Quando vim da minha terra,
não vim, perdi-me no espaço,
na ilusão de ter saído.
Ai de mim, nunca saí.
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
É possível encontrar em São Paulo cada pedacinho do Brasil com seus sotaques e culinárias dos mais variados. Afinal, o Estado de São Paulo se transformou num dos mais importantes pólos de atração de fluxos migratórios. (...) Em estatística feita em 1959 constatou-se que o processo migratório para São Paulo começou em 1901. Naquele primeiro ano, o registro de entrada de nacionais no Estado de São Paulo apontou 1.434 pessoas. No mesmo período, o número de estrangeiros aportados em São Paulo foi de 70.348 pessoas. Foi em 1923 que teve início a intensificação do fluxo de nordestinos, mineiros e fluminenses para São Paulo. (...)
Em 1935, o governo de Armando Salles de Oliveira decidiu estimular a migração para São Paulo, com o objetivo de suprir a lavoura de mão-de-obra. Por iniciativa daquele governo foi estipulada, pelo sistema de contratos com companhias particulares, a introdução de trabalhadores mediante a seguinte subvenção: pagamento de passagem, bagagem e um pequeno salário para a família. (...) A migração em 1950 apresentava o seguinte quadro: Minas Gerais contribuiu com quase 50% do fluxo. A Bahia é o Estado que mais contribuiu depois de Minas Gerais, com 17,56% do fluxo. Somente estes dois Estados representavam 65,04% do fluxo. Migrantes de Pernambuco, Alagoas, Ceará, Sergipe, Paraíba, Rio Grande do Norte e Piauí representavam menos de 15%.
Com o passar dos anos, a migração foi diminuindo. Nos anos 60, chegavam à cidade 128 mil migrantes por ano, a partir de 1980 a média anual caiu para 68 mil, segundo dados do Seade.
Por causa dessa miscigenação, hoje, passear por São Paulo é conhecer todas as tradições. O bairro do Brás, por exemplo, antigo reduto de italianos, é ocupado hoje em sua maioria por migrantes nordestinos. Já a cidade de Carapicuíba registra 70% de migrantes entre nortistas e nordestinos. No município de Embu, os gaúchos realizam festas com acordeão e rabeca e, claro, churrasco. Sem falar de toda a tradição do mobiliário rústico e artesanal.
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