Existem diversas dificuldades para o migrante no Brasil, como falta de lugares de acolhimento, xenofobia, dificuldade de inserção no mercado de trabalho, e muitas vezes, em necessidades básicas como alimentação e vestimenta. Observando essa realidade, 3 amigos e pesquisadores no tema de refúgio fundaram o Instituto ADUS em 2010. A sede, no centro de São Paulo, só foi conquistada em 2015 e a forma com que financiam a organização é através de um bazar - feito com objetos e roupas doadas para este fim - e doação de dinheiro por parte de colaboradores e mesmo voluntários da organização.
A palavra “ADUS” vem do latim, significa “caminho, acesso”. Sua missão é:
“Atuar em parceria com solicitantes de refúgio, refugiados e pessoas em situação análoga ao refúgio para sua reintegração à sociedade buscando sua valorização e inserção social, econômica e cultural.”
Seus valores são constituídos por: empoderamento, compromisso, humanismo, participação, igualdade, transparência e ética.
A organização faz um trabalho para a reintegração e possibilidade de estabelecimento dos refugiados no Brasil, indo desde o primeiro atendimento e comunicação, até o trabalho dos “facilitadores”, que os ajudam a conseguir carteira de trabalho, apresentar creches, ir em entrevistas de emprego, conhecer hospitais, etc.
Segundo dados de janeiro de 2016, os beneficiados do instituto são compostos por tais nacionalidades: República Democrática do Congo (30%), Síria (22%), Haiti (13%), Nigéria (9%), Angola (8%) e outros.
Dados da ACNUR, de outubro de 2014, apontam uma pesquisa sobre o número de refugiados no Brasil: Síria (18%), Colômbia (14%), República Democrática do Congo (13%), Angola (9%), Líbano (5%) e outros (41%).
Nosso país é pioneiro na proteção internacional dos refugiados e política de direitos humanos, oferecendo oportunidade de estabelecimento para as famílias que necessitam de proteção e ajuda. O Brasil foi o primeiro país no Cone Sul a ratificar a Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados, de 1951, que consolida instrumentos legais internacionais para essa questão. Foi um dos primeiros integrantes do comitê executivo do ACNUR.
A principal motivação dos refugiados é a violação de direitos humanos (51%), seguida de perseguições políticas (22%), reunião familiar (22%) e perseguição religiosa (3%). Dados internacionais indicam que há mais de 19 milhões de refugiados no mundo hoje, mas sabemos que esses dados não consideram muitos migrantes como estando nesta situação.
A América não é um dos centros de acolhida de refugiados, isso inclui o Brasil, e o principal motivo é a geografia. Há um grande fluxo migratório na África, Oriente Médio, Leste europeu e Ásia, e a América encontra-se geograficamente afastada dessas regiões.
Conclusão
Hoje, há poucas organizações que cuidam da acolhida e integração de refugiados no Brasil. Apesar de encontrarmos um lugar que nos recepcionasse bem, permitisse nossa visita e apresentação sobre o projeto para nós, não tivemos contato com os refugiados. Após essa experiência, compreendo que refugiados são pessoas comuns, que não devem ser vistas como diferentes na sociedade, apesar de todo o sofrimento que passaram e ainda passam. Devemos respeitá-los, sua cultura e seu espaço, não como se fossem objetos de pesquisa, mas seres humanos com uma vida diferente da nossa.
Uma situação comum entre refugiados, mencionada pelos voluntários, é o machismo presente na sociedade da maioria. Aulas de português são oferecidas, mas ambientes somente de mulheres oferecem maior liberdade - na realidade, é o único momento que tem liberdade, já que “não podem” falar com homens, mesmo que seu professor. Os homens oferecem grande resistência ao trabalho de ajuda psicológica que o instituto ADUS oferece, devido a sua cultura.

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