quarta-feira, 24 de agosto de 2016

[Alguns dados sobre a migração em São Paulo]

Para além de mostrarmos as transformações na cidade provocadas pela migração, nesta postagem analisaremos os impactos dessa migração por meio de dados. Utilizaremos dados obtidos no IBGE, obtidos também em pesquisas realizadas pelo IPEA, pelo MRE e pela pesquisa SP Demográfico

     Fonte: Atlas do Censo Demográfico 2010

Contrastando com dados do MRE sobre a imigração Brasileira para o exterior, temos que, o IBGE reconheceu o desafio de estimar o número de brasileiros no exterior, à luz da significativa variação das cifras. Mencionou a discrepância entre as estimativas de brasileiros no exterior da OIM (1 a 3 milhões) e do MRE (2 a 3,7 milhões). Ao divulgar o resultado do Censo referente ao número de nossos conacionais no exterior em 2010, de 491.243 (residentes em 193 países), cifra muito inferior às estimativas acima citadas, os autores do relatório fazem a ressalva de que já se sabia previamente que o volume de emigrantes internacionais estaria subdimensionado. O relatório aponta algumas limitações que poderiam explicar esse subdimensionamento, entre as quais a possibilidade de todas as pessoas que residiam em determinado domicílio terem emigrado; eventual falecimento, ao longo dos anos, dos parentes daquelas que permaneceram em território brasileiro e a existência de pessoas que imigraram rumo ao exterior há muito tempo e que foram desconsideradas nas respostas. O Censo 2010 também não inclui os filhos de brasilerios nascidos no exterior, dados que os Consulados podem estimar melhor devido aos registros de nascimentos.

Este Ministério também reconhece que suas estimativas talvez não representem exatamente a realidade devido a diversos fatores, entre eles o fato de muitos brasileiros serem irregulares e terem receio de se expor. A última estimativa de brasileiros do MRE vem sendo revisada para incluir dados referentes ao retorno, considerando o bom momento que vive a economia do Brasil em contraste com países ricos, onde reside o maior percentual de brasileiros. Por esse motivo, acredita-se que o número de brasileiros no exterior tenha caído de 3 milhões em 2008 para cerca de 2,5 milhões atualmente.

Assim,

a)           Gênero: dos 491.243 mil brasileiros residentes em 193 países do mundo em 2010, 264.743 eram mulheres (53,8%) e 226.743 homens (46,1%).

b) Idade: 94,3% da emigração brasileira encontra-se (na data de partida do Brasil) na faixa etária de 15 a 59 anos, correspondendo a faixa de 20 a 34 anos corresponde a 60% do total. As mulheres representam a maioria em todas as faixas etárias. Com base nesses resultados, o IBGE infere que a principal motivação pelo deslocamento de brasileiros ao exterior foi a busca de emprego de forma individual, em grande medida sem o acompanhamento de outros membros da família, uma vez que a faixa etária de 0-14 anos e o grupo da população idosa representam apenas 4,4% e 1,4%, respectivamente, do total.

b)           Destino: os principais países de destino foram Estados Unidos (23,8%), Portugal (13,4%), Espanha (9,4%), Japão (7,4%), Itália (7,0%) e Inglaterra (6,2%). Esse grupo de países representa 70% do total. De acordo com os pesquisadores, "laços históricos" e "redes sociais" explicariam a preferência por esses países mais distantes em detrimento de países fronteiriços. Cabe ressaltar que, somados, os primeiros 10 países europeus na lista (Portugal, Espanha, Itália, Inglaterra, França, Alemanha, Suíça, Irlanda, Bélgica, Holanda) representam 49% do total, mais do que o dobro da cifra referente aos EUA. Dos 193 países indicados como local de residência dos brasileiros no exterior, os primeiros 25 concentram 94% do total.

d) Origem:
- Região Sudeste - 49% do total (240 mil), sendo 21,6% provenientes de São Paulo (106 mil, primeiro lugar), 16,8% de Minas Gerais (82,7 mil, segundo) e 7,1% do Rio de Janeiro (34,9 mil, quinto);
- Região Sul - 17,2% do total - desses, 9,3% (46 mil) saíram do Paraná (terceiro estado na classificação geral);
- Região Nordeste - 15% do total, 1/3 do qual do estado da Bahia (5,3%);
- Região Centro-Oeste - 12% do total, com destaque para o estado de Goiás (7,2%, com 35,5 mil emigrados, quarto lugar na classificação dos estados);
- Região Norte - 6,9% do total.

Somados, os primeiros seis estados nessa classificação (São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Rio de Janeiro e Bahia) representam 67,3% do total.

e) Países de destino e origem:
- EUA - principal destino da população oriunda de todos os estados, especialmente de Minas Gerais (43,2%), Rio de Janeiro (30,6%), Goiás (22,6%), São Paulo (20,1%) e Paraná (16,6%);
- Japão - segundo país que mais recebe emigrantes de São Paulo e Paraná, respectivamente 20,1% e 15,3%;
- Portugal - segunda opção da emigração originada no Rio de Janeiro (9,1%) e em Minas Gerais (20,9%);
- Espanha - os indivíduos que partiram de Goiás elegeram a Espanha como o segundo lugar preferencial de destino, o que representou 19,9% da emigração. Esse país aparece como segunda ou terceira opção de uma série de outras unidades da Federação, o que, segundo o IBGE, permitiria concluir que a proximidade do idioma estaria entre as motivações da escolha.

Corroborando com a informação de que 21,6% do total de imigrantes brasileiros serem de origem paulista, o portal Agência Brasil destaca que São Paulo registrou um êxodo migratório na primeira década deste século. De 2000 a 2010, o número de pessoas que saíram da Grande São Paulo é maior do que o das que chegaram. A pesquisa SP Demográfico cruza taxas de natalidade e mortalidade com os primeiros dados do Censo 2010, já disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A partir desses números, já é possível saber se a população de alguns locais do país cresceu e se esse crescimento foi causado pelo nascimento de pessoas ou pela chegada de migrantes.
Na região metropolitana de São Paulo, a população cresceu 0,98% de 2000 a 2010, segundo a pesquisa. Isso foi causado pelo crescimento vegetativo da população (diferença entre os nascimentos e as mortes), já que o saldo migratório desse período foi negativo para a região: -30,3 mil pessoas por ano.
Esse número corresponde a uma taxa de migração de -1,62 para cada mil habitantes da Grande São Paulo. No caso da capital paulista, mais especificamente, a taxa de migração é ainda mais baixa: -3,03.
O resultado da Grande São Paulo impactou também no fluxo migratório de todo o estado de São Paulo. Na primeira década do século 21, apesar de o saldo de migrantes ter sido positivo no estado, ele caiu 67% na comparação com o registrado de 1991 a 2000.
De 2000 a 2010 chegaram no estado, por ano, 47,9 mil pessoas a mais do que saíram. Já de 1991 a 2000, o saldo migratório anual foi de 147 mil.

Por meio do Atlas do Censo Demográfico 2010, na sessão que trata do saldo migratório, temos que em boa parte do Estado de São Paulo, tal saldo encontra-se negativo.

    Fonte: Atlas do Censo Demográfico 2010
Outro dado que nos chama atenção no Atlas do Censo Demográfico é quanto ao gênero dessa migração. Em São Paulo, entre 48% e 52% dos migrantes são do sexo feminino e entre 44% e 48% dos migrantes são do sexo masculino. 

   Fonte: Atlas do Censo Demográfico 2010


    Fonte: Atlas do Censo Demográfico 2010

Já por meio da pesquisa do IPEA intitulada “Perfil dos migrantes de São Paulo” lançada em 2011, que tem por objetivo analisar a inserção social do contingente de migrantes na região metropolitana de São Paulo e compará-la com a situação dos não-migrantes obtivemos alguns dados interessantes. Na pesquisa, optou-se por tratar a população de 30 a 60 anos, pois, nessa idade, a vida profissional das pessoas tende a estar mais definida. Considerando o local de nascimento da população de 30 a 60 anos – se dentro de determinado estado ou fora dele –, percebe-se que as RMs do Distrito Federal e de São Paulo destacam-se como os polos com maiores contingentes de migrantes. O Distrito Federal tem cerca de 75% de sua população adulta originária de outros estados ou países, enquanto, na região metropolitana de São Paulo, essa proporção é de aproximadamente 45%.

Cerca de 11% dos habitantes da Grande São Paulo nasceu na Bahia, 7,6% nasceu em Minas Gerais e 7,3% em Pernambuco. Os estrangeiros representam cerca de 1%.

Para os pesquisadores, uma primeira diferença que chama a atenção é o apoio familiar entre os grupos analisados. Se utilizarmos como indicador a proporção de pessoas de 30 a 60 anos que ainda estão na casa dos pais, vemos que os paulistas contam com o apoio familiar por mais tempo, o que pode lhes proporcionar possibilidades melhores de formação profissional e inserção no mercado de trabalho. Os estrangeiros também têm o indicador relativamente alto. Isto pode denotar maior enraizamento no local, uma vez que uma maior proporção de pais permanece residindo na cidade. Os cearenses são os que apresentam o menor nível de pessoas que vivem na casa dos pais.

Quanto a escolaridade, os migrantes do Nordeste, em geral, são os que apresentam menor escolaridade, notadamente os baianos, entre os quais 59% não concluíram o Ensino Fundamental. Os estrangeiros superam os paulistas em termos de escolaridade. 46% têm formação superior, contra apenas 24,3% dos nascidos no estado de São Paulo. Outros grupos de migrantes ultrapassam a média dos paulistas natos, composto por Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Espírito Santo, Rio de Janeiro e estados do Centro-Oeste, em que 27,1% possuem nível superior completo


CONCLUSÕES:

  1. Quanto a migração de brasileiros para o exterior, o maior número de residentes no exterior tem sua origem no Estado de São Paulo (21,6% do total), sendo os EUA preferido por 20,1% dos paulistanos e o Japão por também 20,1%.
  2. São Paulo registrou um êxodo migratório na primeira década deste século. Na região metropolitana de São Paulo, a população cresceu 0,98% de 2000 a 2010, segundo a pesquisa SP Demográfico. Isso foi causado pelo crescimento vegetativo da população (diferença entre os nascimentos e as mortes), já que o saldo migratório desse período foi negativo para a região: -30,3 mil pessoas por ano. Esse número corresponde a uma taxa de migração de -1,62 para cada mil habitantes da Grande São Paulo. No caso da capital paulista, mais especificamente, a taxa de migração é ainda mais baixa: -3,03.
  3. Apesar do êxodo migratório, São Paulo possui cerca de 45% de sua população adulta originária de outros estados ou países, sendo que cerca de 11% dos habitantes da Grande São Paulo nasceu na Bahia, 7,6% nasceu em Minas Gerais e 7,3% em Pernambuco. Os estrangeiros representam cerca de 1%.
  4. Dos 491.243 mil brasileiros residentes em 193 países do mundo em 2010, 264.743 eram mulheres (53,8%) e 226.743 homens (46,1%).
  5. Em São Paulo, entre 48% e 52% dos migrantes são do sexo feminino e entre 44% e 48% dos migrantes são do sexo masculino.




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