terça-feira, 16 de agosto de 2016

Retratos da migração em São Paulo [Parte 1]

São Paulo é uma cidade na qual se recebeu muitos migrantes de diversas regiões do nosso país e do mundo. Algumas dessas migrações se consolidaram em forma de construções e práticas adotadas e incorporadas pela própria cidade. Nessa primeira parte daremos alguns exemplos, o que se seguirá na parte 2 a ser postada amanhã


Estação Armênia do Metrô (Zona Norte)

A estação foi inaugurada no dia 26 de setembro de 1975, de acordo com o site do Metrô, com o nome de Ponte Pequena, como referência ao nome do local (a antiga ponte da Avenida Tiradentes sobre o Rio Tamanduateí). Diante do evento conhecido como "Genocídio Armênio" no qual, entre 100 mil e 300 mil armênios teriam sido massacrados em 1895-1896 durante o reinado do sultão Abdul Hamid II muitos desses armênios aqui se estabeleceram. Segundo o Portal Estação Armênia: "Quando começaram a chegar em São Paulo, no final da década de 1920, os armênios se dirigiram para as imediações da Rua 25 de Março, onde abriram lojas e fixaram residências. Foi no local também que as primeiras instituições foram fundadas, como a primeira sede da Igreja Apostólica Armênia, a Melodias Armênias (embrião do Clube Armênio) e a extinta Sociedade União Armênia de São Paulo. Assim, o bairro Ponte Pequena ganhou uma nova identidade graças a presença dos armênios. Já em 1980 inicia-se uma mobilização por parte dos armênios para que se mudasse o nome da estação Ponte Pequena para estação Armênia, que a esta altura já era associada pelos paulistanos com este povo, uma vez que a Igreja Central Evangélica Armênia foi construída ao lado da Estação, sendo possível visualizá-la até mesmo de dentro do trem. (PORTAL ESTAÇÃO ARMÊNIA). Após anos de tramitação, em 1985 finalmente é aprovada a alteração do nome da estação. Assim, Embora São Paulo seja uma cidade multiétnica, com dezenas de povos e etnias, os armênios são os únicos que gozam de um lugar de memória tão impactante quanto uma estação de metrô. A Estação do metrô faz com que as milhões de pessoas que passam por lá todos os dias associem o nome Armênia com o bairro e a cidade, criando uma relação de identidade desse povo com a sociedade que o recebeu. (PORTAL ESTAÇÃO ARMÊNIA)



Igreja Central Evangélica Armênia que fica em frente a uma das entradas da estação. Fonte: Google Street View



Antiga estação Ponte Pequena, atual estação Armênia. Fonte: Portal Estação Armênia


LOCALIZAÇÃO


HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO

04h40 às 00h26 de domingo à sexta-feira
04h40 às 01h00 aos sábados



Feira da Kantuta (Zona Norte)

Não tão distante da estação Armênia do metrô temos a Feira da Kantuta. A feira reúne todos os domingos imigrantes bolivianos que celebram o encontro com danças, música, artesanato e culinária local. A feira que não é tão voltada a atração de turistas, mas acabou por se tornar um ponto conhecido dentro da cidade de São Paulo, sendo incorporada a ela e citada até mesmo em revistas que tradicionalmente indicam locais próprios ao turismo como a Veja São Paulo. Curioso também é a proximidade da feira em relação ao bairro armênio citado acima (vide mapa abaixo retirado do site Esse Mundo É Nosso)





LOCALIZAÇÃO

Rua Pedro Vicente, S/N - Canindé - São Paulo – SP

HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO

Domingo das 11h às 19h



Pavilhão Japonês (Zona Sul)

Todo cidadão paulistano conhece ou já ouviu falar do Parque do Ibirapuera localizado em Moema, área considerada nobre da cidade. Contudo, dentro do agitado parque há um calmo local em que é possível curtir a calmaria diante de um belo cenário que remete a um palácio japonês. Este é o Pavilhão Japonês.

Entrada do Pavilhão Japonês. Fonte: do autor


Segundo a Japan Foundation, uma organização vinculada ao Ministério das Relações Exteriores do Japão, estabelecida em 1972, cujo objetivo é promover o intercâmbio cultural e a compreensão mútua entre o Japão e outros países, o Pavilhão foi construído conjuntamente pelo governo japonês e pela comunidade nipo-brasileira, o Pavilhão Japonês foi doado à cidade de São Paulo, em 1954, na comemoração do IV Centenário de sua fundação. Coube a Oscar Niemeyer a responsabilidade pelo projeto arquitetônico do Parque, mas entre os espaços idealizados pelo arquiteto uma construção não apresenta seus traços. O local tem como principal característica o emprego dos materiais e técnicas tradicionais japonesas, tendo como referência o Palácio Katsura, antiga residência de verão do Imperador em Kyoto. O Pavilhão Japonês foi transportado desmontado, em navio, e reúne materiais trazidos especialmente do Japão, tais como as madeiras, pedras vulcânicas do jardim, lama de Kyoto que dá textura às paredes, entre outros. Sua construção aqui contou com numerosos imigrantes japoneses que atuaram como voluntários para auxiliar o corpo técnico vindo do Japão. O Pavilhão ocupa uma área de 7.500 m² às margens do lago do Parque e é composto de um edifício principal suspenso, que se articula em um salão nobre e diversas salas anexas, salão de exposição, jardim, além de um belíssimo lago de carpas (JAPAN FOUNDATION)

Lago de carpas dentro do Pavilhão Japonês. Fonte: do autor

LOCALIZAÇÃO

Parque do Ibirapuera – Portão 10 (próximo ao Planetário a ao Museu Afro Brasil)

HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO

Quartas-feiras, Sábados, Domingos e feriados das 10h às 12h e das 13h às 17h

INFORMAÇÕES

Tels.: (11) 5081-7296 / (11) 3208-1755

PREÇOS

Contribuição adulto: R$ 7,00 

Estudante com carteirinha e crianças de 5 a 11 anos: R$ 3,50 

Menores de 5 anos e idosos acima de 65 anos: entrada gratuita

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